(Publicada originalmente em 01.2007)
O gabinete Miguel Rios Design surge de um crescente interesse pelas questões da viabilidade prática do design na indústria, da concepção do vestuário como elemento de protecção e de comunicação, do seu carácter utilitário e funcional e das questões ligadas ao inteligent wear. Assim, quando formado, em 2002, este gabinete tinha os antecedentes do designer Miguel Rios, já há muito ligado à pesquisa e observação da dinâmica do vestir e à relação do corpo com o vestuário, enquanto objecto. Um dos objectivos deste site será, deste modo, comunicar estes interesses e referências.
Presentemente, a equipa que forma o atelier MRD trabalha em diferentes projectos, todos eles relacionados com a adaptação das novas tecnologias ao mundo têxtil. O seu core business é o design, pela equipa e pela dinâmica estratégica que o constitui. Pretendem criar e implantar no mercado produtos que de alguma forma estejam fora do âmbito comum das peças de vestuário, dos aspectos efémeros que lhes estão usualmente associados, e incutir nessas peças algo que lhes confira uma certa continuidade no tempo e as possibilite, igualmente, comunicar por elas próprias.
Com toda a subjectividade que essas temáticas possam abarcar, com toda a complexidade de referências, o Homem sempre imaginou o futuro, sempre projectou imagens. Um mundo de alta tecnologia está em desenvolvimento, muito mais rápido do que se possa pensar, e a realidade que o comum cidadão observa, com mais ou menos atenção, é encarada de outra maneira por mentes que equacionam possíveis cenários mais futuristas. A verdade é que há 40 anos não se imaginava um mundo tal como ele se nos apresenta nos dias de hoje. E isso está presente em diversos filmes ou outras formas de arte das diferentes épocas (daí a diferença do imaginário de um 2001 Odisseia no Espaço e de um Blade Runner). Há perigos que vivemos hoje e projectamos para o futuro, e por esse facto nos confrontamos com eles no dia a dia, a ficção vagueia pelos vírus, pelas contaminações e pelo terrorismo. Ao mesmo tempo que encaramos este mundo mais perigoso, o futuro também nos reserva o prazer da utilização de novas tecnologias associadas a um maior conforto e protecção, a aspectos mais emocionais, portanto mais humanos. Este gabinete pensa nestas questões há muito tempo. Interroga-se em como será, na prática, a vida numa urbe complexa e plena de incógnitas. Em como nos poderemos proteger e viver em sociedade. Imaginários futuristas não fazem parte só da BD. Não podem.
Continuamente ligado a cidades, às questões urbanísticas e sociais, à arquitectura e à cultura urbana, os interesses de Miguel Rios sempre estiveram entre a arte e o design, a evolução do corpo e as suas possíveis adaptações ao meio que o rodeia, a alteração que isso implica no comportamento dos indivíduos, o mundo têxtil e as suas constantes mutações. Por isso, não é de estranhar que algumas das suas referências sejam Sterlac e Lucy Orta. E que pense em todas estas questões em função só e unicamente da urbe.
A leitura dos vários pontos deste site servirá para entender os projectos em si, com toda a hermética implícita em questões de inteligent wear, e para conhecer os envolvidos, a equipa em si. Esta plataforma de comunicação servirá também como veículo de expressão para várias questões e eventos ligados à cultura contemporânea, escritos por diferentes autores, consoante os temas. Esta página será, assim, um espaço de opinião.
Isabel Lindim
Actualmente, colabora com as revistas Elle e Le Cool, bem como, elabora os textos para imprensa de diversos eventos, como a ModaLisboa
Entre 1996 e 2005 colaborou com as revistas Grande Reportagem, Visão e DIF, bem como foi redactora da Elle e editora da revista on-line Le Cool. Igualmente, assumiu as funções de jornalista no programa Pop Up, da RTP 2, sobre cultura urbana, no ano de 2005.
Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa, 1996.